Iggor Gomes: Pesquisa científica, energia limpa e sustentabilidade
O diretor da Itaipu Binacional, Iggor Gomes, conta sobre o projeto "Moradias" para beneficiar comunidades que, em área de preservação permanente, eram vítimas das cheias em Foz do Iguaçu, sendo necessário discutir políticas públicas associadas à produção de gases de efeito estufa, o que ensejou o envolvimento de universidades e de diversos profissionais que dialogassem com o meio ambiente e a sustentabilidade. Iniciativas de construção que capturem carbono, em vez de emiti-lo, e outras semelhantes, desenvolvidas por grandes empresas, atraem atenção e incentivam projetos em outras localidades.
Segundo Iggor, há diferenças entre empresas estatais e empresas privadas quanto à concretização da sustentabilidade, sendo necessário compreender que a execução desse dever também representa uma oportunidade de negócio. Ao tratar de exemplos em que a sustentabilidade ambiental aparece em planilhas, o que também se aplica à sustentabilidade social, tem-se o Direito Administrativo, o Direito Econômico e o Direito Empresarial, ao gerarem novos modelos de negócio, como parceiros na operacionalização da sustentabilidade econômica.
Para a redução da emissão de gases de efeito estufa, cabe ao país beneficiar-se de seu tamanho, o que também vale para grandes empresas, sejam do setor público ou do setor privado. Em relação ao mercado de carbono, embora o Brasil seja um grande protagonista, sua intervenção ocorreu com atraso, havendo ainda normatização pendente. Quanto aos títulos emitidos por quem produz energia limpa, os créditos de descarbonização impulsionam o mercado, divulgam esse tipo de medida e podem trazer ganhos de arrecadação para o governo.
Como membro da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, Iggor Gomes destaca a necessidade de que a ciência no país seja tratada com respeito, sem restringir a discussão ao custo da pesquisa nas universidades. Indica, como aspectos relevantes, conectar interessados, valorizar editais e acelerar empresas que buscam resultados de interesse público. Ao mencionar que 98% dos resultados de pesquisas no Brasil vêm de instituições públicas, a despeito do baixo investimento estatal, aponta ser indispensável a estabilidade na aplicação de recursos em projetos de médio e longo prazo, com compartilhamento entre pesquisadores diversos, organizados inclusive em associações privadas. Ao lembrar que o Brasil é o melhor país do G-20 em energia limpa, sublinha a importância de integrar esse pensamento com quem trabalha no setor produtivo.
Segundo Gomes, eventos como congressos e iniciativas como podcasts são espaços relevantes para a divulgação de uma nova perspectiva sobre a ciência junto aos publicistas da nova geração, ao que acresce o crescimento das bolsas para estudantes de Direito, com oportunidades que variam do PNUD à FINEP para quem deseja pesquisar sobre inovações. A interpretação de um arcabouço de leis elaboradas para o meio ambiente e as novas tecnologias tornou possível a publicação de diversos editais que fomentam pesquisas em diferentes setores, devendo os interessados acompanhar os portais sobre essas matérias e as redes sociais atualizadas.
"Para inovar, você precisa de burocracia": é a partir dessa ideia que Iggor Gomes explicita a amplitude de espaço que o estudante de Direito tem à sua disposição. É o uso desse espaço que evitará a perda de recursos destinados à pesquisa, impedindo o desperdício de recursos destinados a múltiplos setores.
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