Wesley Vaz: Governança em TI, contratos de tecnologia e IA generativa
Segundo Wesley Vaz, o trabalho feito em governança, inovação e transformação digital do Estado requer que se compreenda a finalidade do uso das tecnologias, que, no setor público, são viabilizadoras da entrega de resultados públicos. Tecnologia é uma ferramenta para entregar direito os resultados de que necessitamos, com a eficiência indispensável. Aliando conhecimentos de ciência da computação, de gestão e de uso da tecnologia do ponto de vista da liderança, explica a importância de se compreender a ferramenta tecnológica para, então, saber se a contratação atende ou não ao interesse público. Tal entendimento é relevante na atividade de auditoria de órgãos como o TCU, bem como na produção de tecnologia, como ocorreu com os robôs Alice e Mônica. Adverte que tais instrumentos deveriam estar disponíveis para o gestor, que é o responsável por não errar e por realizar, sendo esse aprendizado a origem da transferência das novas tecnologias para a gestão.
Ao analisar as contratações de tecnologia, em especial as que utilizam a metodologia ágil, reconhece que as inquietações de não saber “o que se está contratando e por quanto” não se restringem à bolha jurídica, sendo indispensável a motivação capaz de indicar qual caminho se deve seguir. Atualmente, o hype da IA tem influenciado o seu uso em lugar do enfrentamento direto dos problemas que cada instituição possui e que precisam ser identificados, com a esperança de a tecnologia resolvê-los. Para Vaz, o jurídico e a tecnologia precisam sentar-se à mesma mesa e admitir que não têm todas as informações para tomar decisões coerentes, contexto em que cabe a contratação pública de soluções inovadoras, que é um instrumento jurídico apto a reduzir os riscos, “sem achar que a tecnologia não serve para nada ou que serve para tudo”.
Para uma IA generativa que entenda tanto quanto nós sobre o trabalho que realizamos, Wesley afirma que seria necessário que ela “ouvisse tudo o que a gente ouve, gravasse tudo o que a gente fala, identificasse tudo o que a gente pensa, e isso não existe”. Logo, não é possível falar em uma versão digital inteligente capaz de mimetizar o trabalho humano, donde conclui que o melhor uso das ferramentas de IA é para amplificar os nossos poderes. Diante dessa realidade, os maiores ameaçados não são os especialistas, mas aqueles que saíram da faculdade e são generalistas. Sobre a combinação do nosso conhecimento com o da IA, distingue aqueles que não querem dos que não conseguem e, também, daqueles que não podem, sendo impressionantes os resultados alcançados por quem quer, consegue e entende as limitações e os usos adequados.
Wesley Vaz confessa não ser possível ter uma ideia clara sobre o nível de preparação do Brasil, como país, para normatizar o uso da inteligência artificial. Segundo ele, os debates são influenciados por questões políticas e geoeconômicas, o que torna pertinente uma postura mais conservadora, até pelo fato de a bolha poder estourar rapidamente, como já aconteceu antes. De maneira categórica, diz que o Brasil não pode ficar para trás no modelo de negócios que a IA pode gerar, até por ser um país com 220 milhões de brasileiros que usam redes sociais sem conhecer o algoritmo de IA presente em cada uma delas. O uso intencional da IA é uma evolução, até por implicar a preparação e a formação dos cidadãos, em lugar do uso passivo dos algoritmos que nos transformam em objeto.
Por fim, Vaz coloca que estamos diante de um momento em que todos parecemos adolescentes: tensos e chateados, às vezes com revolta, outras vezes com muitas dúvidas. Para ele, só existe um jeito de passar pela adolescência: passando. Acredite que a maturidade chega. Portanto, que os administrativistas encarem esse período buscando aprender o que pode valorizar seu trabalho e sua especialidade.
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